Split Payment na Reforma Tributária: o que muda em 2028
O split payment da reforma tributária é o mecanismo que vai separar automaticamente o valor do IBS e da CBS no momento do pagamento de uma venda, fazendo com que o fornecedor receba apenas o valor líquido, já com o imposto recolhido direto para o Fisco. Em agosto de 2026, a Receita Federal confirmou que a obrigatoriedade do split payment para operações entre empresas (B2B) foi adiada de 2027 para 2028, dando mais tempo para as empresas ajustarem seus sistemas financeiros antes da mudança valer para todo mundo.
##O que é o split payment e como funciona na prática
O nome técnico é complexo, mas o funcionamento é simples de entender com um exemplo. Uma empresa vende um produto por R$ 1.000: o sistema identifica automaticamente qual parcela desse valor corresponde ao IBS e à CBS, separa esse valor no ato do pagamento e envia diretamente para o Fisco. O fornecedor recebe apenas o restante, já líquido de imposto.
Isso é bem diferente do modelo atual, em que a empresa recebe o valor cheio da venda e só depois calcula e recolhe os tributos devidos, muitas vezes com um intervalo de semanas entre o recebimento e o pagamento do imposto.
##Cronograma atualizado da reforma tributária
O calendário oficial, considerando o adiamento anunciado pela Receita Federal, ficou assim:
- 3 de agosto de 2026: campos de IBS e CBS passam a ser obrigatórios na nota fiscal eletrônica, com alíquota de teste de 1% (0,9% de CBS e 0,1% de IBS), sem efeito de arrecadação real.
- 1º de janeiro de 2027: começa a cobrança plena da CBS e a extinção gradual do PIS/Cofins. Nessa fase, o split payment ainda é opcional para quem quiser se adiantar.
- 2028: o split payment se torna obrigatório para as operações entre empresas (B2B), com todos os sistemas do governo já em funcionamento pleno.
- 2029 a 2032: substituição gradual do ICMS e do ISS pelo IBS, em etapas anuais.
- 2033: fim do período de transição, com o novo sistema tributário totalmente implementado.
##Por que o split payment foi adiado para 2028
O adiamento foi anunciado oficialmente pela Receita Federal em 30 de agosto de 2026 e responde principalmente à complexidade operacional do projeto. Segundo estimativas do Comitê Gestor do IBS (CGIBS) e do Ministério da Fazenda, o Brasil deve registrar entre 1,3 e 1,5 bilhão de transações B2B por ano dentro do novo modelo, com um custo estimado de R$ 0,39 por transação processada e até R$ 585 milhões em ressarcimentos anuais na fase inicial.
Diante desse volume, o governo optou por manter 2027 apenas como fase de adoção opcional, reservando 2028 para a obrigatoriedade em operações B2B, enquanto o ambiente de testes e a infraestrutura de integração (o Manual de Integração e a Plataforma Pública, publicados em maio de 2026 pelo Ato CGIBS nº 2) são validados com mais segurança.
##Impacto no fluxo de caixa das empresas
Esse é o ponto que mais preocupa donos de pequenas e médias empresas: o dinheiro que entra no caixa passa a ser menor do que o valor total da nota fiscal, porque o imposto já sai segregado na origem. Segundo o especialista em direito empresarial Renato Ewerton, em entrevista ao Poder360, a mudança "vai alterar práticas financeiras de rotina e exigir sistemas de controle mais precisos" por parte das empresas.
Na prática, isso muda pelo menos três coisas na rotina financeira:
- O valor recebido deixa de ser igual ao valor da nota fiscal, exigindo nova lógica de conciliação bancária.
- O capital de giro disponível diminui, já que o valor do imposto não fica mais temporariamente em caixa até o vencimento do recolhimento.
- Sistemas de ERP, emissão de nota fiscal e conciliação financeira precisam ser atualizados para lidar com o recebimento líquido.
##Como preparar sua empresa antes de 2028
Mesmo com o prazo estendido, vale começar a se organizar agora, principalmente porque a fase de testes com alíquota de 1% já está em vigor desde agosto de 2026. Algumas ações práticas:
- Revisar o ERP e o sistema de emissão de notas fiscais para garantir que os campos de IBS e CBS estejam sendo preenchidos corretamente.
- Simular o impacto do split payment no fluxo de caixa, considerando um recebimento líquido em vez do valor bruto da venda.
- Automatizar a conciliação financeira, já que a diferença entre valor da nota e valor recebido vai exigir reconciliação constante.
- Acompanhar as publicações do CGIBS e da Receita Federal sobre o Manual de Integração e a Plataforma Pública.
Empresas que dependem de planilhas manuais para controlar o financeiro tendem a sentir mais dor nessa transição. Sistemas integrados, com automações que já cruzam nota fiscal, extrato bancário e conciliação, chegam a 2028 em vantagem.
##Perguntas Frequentes
O split payment já está valendo em 2026? Não. Em 2026 vale apenas a fase de testes, com alíquota simbólica de 1% de IBS e CBS na nota fiscal, sem efeito real de arrecadação nem separação automática de valores.
Para quando foi adiado o split payment? A obrigatoriedade do split payment em operações B2B foi adiada de 2027 para 2028, conforme anúncio da Receita Federal em agosto de 2026.
O split payment vale para todas as empresas? A obrigatoriedade a partir de 2028 é voltada para operações entre empresas (B2B). A adoção a partir de 2027 é opcional, e o formato para vendas ao consumidor final ainda está em regulamentação.
O split payment reduz o lucro da empresa? Não reduz o lucro, mas muda o momento em que o imposto sai do caixa: em vez de ficar disponível por semanas até o recolhimento, o valor já sai segregado no momento da venda, afetando o capital de giro.
Como o split payment afeta o fluxo de caixa das pequenas empresas? O valor recebido passa a ser líquido de imposto, o que exige planejamento financeiro mais rígido e sistemas de conciliação capazes de lidar com recebimentos que não batem mais com o valor total da nota fiscal.
O split payment da reforma tributária ainda vai passar por ajustes até 2028, mas o cronograma já está claro o suficiente para que nenhuma empresa seja pega de surpresa. Quem começar agora a revisar sistemas financeiros e automatizar a conciliação de pagamentos chega na obrigatoriedade sem sobressaltos. A Stormcore ajuda empresas a estruturar sistemas e automações financeiras sob medida, justamente para que mudanças como essa sejam absorvidas sem dor de cabeça no dia a dia do negócio.
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